
VALENEWS BRASIL || JULGAMENTO DO STF MANTÉM TRAMA GOLPISTA NA TURMA; FUX É VENCIDO AO DEFENDER CASO NO PLENÁRIO
A Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) negou
nesta terça-feira (25) o pedido da defesa de acusados do núcleo central da
trama golpista de enviar para o plenário do Supremo o julgamento da denúncia
contra o ex[1]presidente
Jair Bolsonaro (PL) e outras sete pessoas.
A decisão foi tomada durante o julgamento do recebimento da
denúncia contra os acusados. O colegiado analisa neste momento questões
preliminares levantadas pelas defesas.
A recusa se deu por maioria, quatro votos a um. Só o ministro
Luiz Fux foi contra julgar o caso na Primeira Turma para ele, o caso deveria
ser levado ao plenário.
No fim de 2023, o STF decidiu que ações penais deveriam ser
julgadas pelas Turmas uma solução para desafogar o plenário diante de mais de
1.500 ações penais em curso relacionadas aos ataques de 8 de janeiro.
Moraes também defendeu que presidentes da República em
exercício devem ser julgados pelo plenário do Supremo, como prevê o regimento
interno, mas o mesmo não valeria para ex[1]presidentes.
"Ex-presidente da
República não pode ser afastado de um cargo que não exerce mais. Consequentemente,
as razões do regimento interno não se aplicam ao ex-presidente. Diante dessas
alegações, afasto ambas as preliminares", diz.
Fux foi o único a discordar dos demais ministros sobre
realizar o julgamento na Primeira Turma. Para ele, a deliberação caberia ao
plenário do Supremo. O ministro já havia votado em 2023 contra o envio das
ações penais para as Turmas.
"Pior que o juiz que não sabe direito é o juiz
incoerente. Peço vênia para manter minha posição, até porque não é tão pacífica
assim", disse Fux em referência ao seu voto de dois anos atrás.
A Primeira Turma do Supremo se debruça primeiro nas questões
processuais levantadas pelas defesas dos denunciados. O voto do relator sobre o
mérito das acusações deve ser apresentado somente após a discussão das
preliminares.
Foram ao todo cinco questionamentos apresentados pelos
advogados. A primeira preliminar foi sobre os pedidos de impedimento, suspeição
e ausência de imparcialidade de Moraes. A negativa foi unânime.
O ministro Luiz Fux afirmou que essa questão é tratada pela
Presidência. Cármen Lúcia afirmou ser fácil criar qualquer tipo de impedimento
para afastar um magistrado. "Basta citar algum documento.
Não há porque afastar em nome de uma possível desconfiança. O
ministro comportou-se desde o início como é dever a qualquer juiz no
mundo", disse.
Zanin afirmou entender que a questão já foi analisada, com a
apresentação de informações. "Não identifico nenhum interesse da parte de
Moraes", disse.
Os ministros ainda devem tratar sobre os pedidos de nulidade
da colaboração premiada do tenente-coronel Mauro Cid, um dos principais pontos
levantados pelas defesas de Jair Bolsonaro e Braga Netto.
Na fase atual do julgamento, o STF analisa somente se a
acusação apresenta indícios de autoria e materialidade ou seja, se há um mínimo
indicativo suficiente para que os denunciados respondam a um processo. A
tendência é que a Primeira Turma do Supremo receba a denúncia por unanimidade.
Se o cenário se confirmar, os acusados passam a responder a
uma ação penal, e o processo começará a ser instruído por Moraes. Na próxima
fase, os réus poderão coletar provas e relacionar testemunhas para serem
ouvidas no STF.
É neste momento que os suspeitos devem questionar o mérito
das acusações feitas pela PGR. A Primeira Turma do STF é composta pelos
ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Flávio Dino e
Luiz Fux.
O julgamento começou às 9h30 desta terça, com a leitura do
relatório de Moraes. O procurador-geral Paulo Gonet falou por 30 minutos a
favor do recebimento da denúncia contra os acusados, e as defesas apresentaram
seus argumentos durante duas horas. A PGR dividiu a denúncia da trama golpista
em cinco grupos.
O núcleo central, do qual Bolsonaro faz parte, é o primeiro a
ser julgado pelo STF. Além do ex-presidente ão alvos dessa fatia da denúncia
Alexandre Ramagem (deputado federal e ex-chefe da Abin), Almir Garnier (ex[1]comandante
da Marinha), Anderson Torres (ex-ministro da Justiça), Augusto Heleno
(ex-ministro do GSI), Mauro Cid (ex-ajudante de ordens de Bolsonaro), Paulo
Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa) e Walter Braga Netto (ex-ministro da
Casa Civil e da Defesa).
Eles são acusados pelos crimes de organização criminosa
armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe
de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio
público e deterioração do patrimônio tombado.
Somadas, as penas máximas chegam a mais de 40 anos de prisão.
Da Redação
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